Wolkices Cotidiano

Do melhor jeito possível

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Durante muito tempo trabalhei com o público e sempre levei esse pensamento de “fazer da melhor maneira possível” à risca, mesmo com o pior e mais indelicado cliente. Obviamente que por diversas vezes não era o suficiente para agradar, mas o que vale é a minha consciência de que fiz meu melhor. Em muitos momentos julgo necessário ter pulso firme, sempre unido com jogo de cintura, para que não ocorram abusos.

Nos meus dias de rage eu era mais fria ainda. Sei que todo e qualquer ser humano tem seus dias de fúria, que não somos robôs, que é algo normal, mas penso o seguinte: se você não sabe lidar com gente… Pra que diabos arrumar um emprego com atendimento ao público?

Saindo do prestar serviço para ser atendido, afirmo que sou do tipo de cliente/paciente que todo mundo gosta de lidar. Sempre procuro tratar as pessoas de maneira calorosa, educada e cordial. Como disse acima, sei como é lidar com gente, o quanto é cansativo e estressante, por isso tento fazer o momento ser bom não só para mim e para quem está comigo quanto para quem está ali trabalhando. Isso é algo muito sério para mim.

Já aconteceu de sair com um grupo, ser super bem atendida (até mais que as pessoas nas outras mesas), alguém ser escroto com o garçom de graça e minha amizade pela pessoa morrer ali. Sabe aquela frase da Abigail Van Buren?

“O melhor indicativo do caráter de uma pessoa é como ela trata as pessoas que não podem lhe trazer benefício algum, e como ela trata as pessoas que não podem revidar.”

Penso por aí.

Minha maneira de lidar é sempre a mesma. Daniel já sabe sem nem eu falar. Se for bem tratada, pago a porcentagem do serviço e ainda deixo o do café, mesmo quando o restaurante não tem essa cobrança. Penso que se a pessoa fez aquele meu momento especial ela deve ser reconhecida. Fica bem para o trabalho ela, mesmo que seja um pequeno reconhecimento. Além disso, chamo o gerente e parabenizo pela escolha do profissional. Posteriormente volto com outras pessoas e indico seu atendimento. Levando em conta que sou dessas que indica pratos e bebidas para o casal inseguro da mesa ao lado, dá pra imaginar mais ou menos como é meu comportamento.

Senão, no caso de não ter consumido, levanto e vou embora. Se não tem para onde correr (consumi algo ou marquei com um amigo naquele local), não pago a porcentagem, apenas o que foi consumido, agradeço, dou boa noite, desejo um bom expediente e vou embora. Pode ser que nunca mais volte naquele lugar. Posso até dar segunda chance em raros casos, mas no final das contas só reafirmam minha primeira impressão na maioria das vezes.

Quem me conhece sabe que levo esse lance do anfitrião muito a serio, mesmo quando esse título não caiba a mim. Se eu der boa noite para alguém e a pessoa não responder, eu dou de novo. Se ela responder com grosseria, vou embora. É radical, é, mas eu fico bastante incomodada até porque falo bom dia/boa noite/boa tarde/bom trabalho/bom descanso/por favor/obrigada para a vizinha do prédio até o motorista do ônibus pra voltar pra casa. Quem perde não sou eu, acredite.

É engraçado falar disso. Alguns amigos nossos se assustam quando chegamos em um local já cativo e os funcionários vem nos receber, apertar a mão, perguntar como temos passado, desejar boas vindas.

Eu tenho amizade com pessoas que conheci em uma situação de prestação de serviço e também tenho amigos que julgam esse vínculo como algo negativo (se você está pagando não deve dar abertura). Acho esse pensamento bastante escroto e cruel, só pra constar, até porque se você é meu amigo e trabalha com publicidade, advocacia, engenharia ou qualquer outra profissão pode vir a trabalhar para mim em algum momento e vice versa.

Agora uma atitude que não consigo aceitar de maneira alguma é aquela de que a pessoa pensa “que está de fazendo um favor” e te trata de maneira incorreta ou procura jogar a responsabilidade profissional dela para cima do cliente. Ninguém é insubstituível, embora muitos acreditem que não é assim que funciona.

Você está prestando um serviço, é o seu emprego, sua obrigação, você é pago para isso. Você tem que fazer direito. Tenho um pensamento bem concreto sobre esse assunto: Se você serve um café, está prestando um serviço. Se você está tentando expandir a sua empresa, idem. Agora, se você tem problemas em casa ou seu trabalho não é satisfatório como você desejava, repassar toda e qualquer frustração para seu cliente é inadmissível.

Semana passada vivi isso. Mas isso contarei no próximo post, o qual conto como não dou sorte com dentistas.

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coment
  • Vanguedes
    5 de agosto de 2013 at 17:53

    Eu sou prova viva disso. Já me assustei algumas vezes quando saí com vocês por estranhar, não pela forma cordial de tratar as pessoas, mas pela forma “olá sou Gaby e sou amiga de todos vocês” de tratar as pessoas. Isso é admirável nos seres humanos de hoje em dia, onde a educação e gentileza são características secundárias e todo mundo quer ser o “Dr. House”, só que burro e sem condição nenhuma de bancar o babaca arrogante.

    De qualquer forma, continue sendo simpática e feliz. Quem ganha é você…e as pessoas ao seu redor.

  • Jogos online para Crianças
    16 de outubro de 2013 at 17:38

    Muito bom, parabéns…