Wolkices

Odinsleep

Odinsleep

Olho pro lado, pro teto. Digito, apago, digito de novo. Tem sido dessa forma há algum tempo. Sei que é comum e recorrente com pessoas que em 2013 ainda cismam de ter blogs pessoais. Não me lamento. Seguirei o lema que praticamente tatuei na minha mente: “Deixe fluir”.

Estou em um momento em que chamo de “reclusão”. Entro nesse modo toda vez que decido finalizar determinadas atividades que tem se estendido mais do que eu gostaria, seja por falta de tempo ou interferência externa. Quem me conhece sabe da minha procura infinita pela excelência nas coisas que faço. Ou quando estou de saco cheio da porra toda. Se quiser ver uma imagem que resume bem, essa é perfeita.

Geralmente me torno inacessível enquanto reclusa, só que desta vez seria radical demais e até um pouco cruel com algumas pessoas que precisam de mim. Mesmo assim, tive que dar alguns passos bem bruscos: cortei a tal da “disponibilidade 24 horas por dia” desabilitando o Facebook, parando de me desdobrar quando realmente não dá e aprendendo a colocar o celular no mudo a partir de um determinado horário da noite. Escutei um monte por causa disso. Depois vi as pessoas que realmente se importam comigo se adaptando e compreendendo, o que me ajudou a tomar decisões importantes do que vale e do que não vale.

Ser incisiva é algo que todo mundo acha que sou mestra em fazer, mas nem sempre é tão fácil assim. Tudo nessa vida coloca muita coisa em jogo. E assim, eu tenho visto tantas coisas ridículas acontecendo, tanta falta de bom senso e dignidade. Com elas vem a minha vontade imensa de tatuar o símbolo do hidrogênio do Doutor Manhattan na nuca (na testa não, motivos óbvios), o qual vou jogando pra frente pelo fato de não querer tatuar algo com significado negativo, tipo perda de fé na humanidade.

Muitas coisas mudam quando volto desse período. Eu penso sobre tudo, tudo mesmo. Avalio tudo que vale a pena para mim, elimino o que é tóxico e o que não tem mais jeito. É relativamente uma mudança, onde coisas vão e coisas ficam. Faz parte do processo que eu chamo de amadurecimento. Eu volto diferente, com uma outra visão, e assusto as pessoas quando volto com outra postura.

Daniel chama essa minha fase de “Soneca de Odin”. Ah, sim, ele explica para as pessoas dessa forma também.

Defini algumas prioridades nos últimos meses. Coisas como ler mais, escutar mais músicas, comer bem, dormir cedo, estipular prazos e datas, tentar seguir uma agenda a risca, divisão de tempo, brincar mais com meus filhos. Não vou mentir e dizer que tem funcionado 100%, até porque a mania que citei anteriormente tem o pré-requisito nocivo de que sou uma pessoa completamente noturna. Não consigo produzir tanto quanto gostaria de dia, infelizmente. Tenho tentado melhorar no quesito, estou até almoçando no horário!

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E chegamos no porque estou aqui contando isso tudo.

Ontem estava conversando sobre relacionamentos com um amigo e mandei pra ele uns posts do meu falecido e amado blog ultra pessoal Tirana Tequila. Me deu uma saudade imensa de escrever daquele jeito. Tudo bem que alguns posts eram cruéis demais (até para mim), mas era eu ali colocando totalmente meu coração “no papel”. Certas coisas nunca mudam. “Na Coleira” continua sendo recorrente na minha vida (quer dizer, na dos meus amigos). Lendo-o três anos depois cheguei a conclusão de que ele é quase uma profecia macabra.

Relendo esses posts vi que tinha um errinho de PHP e hoje resolvi isso. Daí, reparei que só entrava no blog para atualizar plugins e mudar de layout. Senti vergonha. Mais ainda por ver que existem pessoas que continuam me visitando, comentando, se preocupando comigo através do blog e eu sem tempo para ele.

Reparei também que nunca fiz um post apresentando o Michelangelo, coisa que me deixa bem chateada já que ele é meu filho mais novo. Nenhum post sobre os bonequinhos de Mass Effect que vieram depois do Garrus (é, eu tenho o Mordin e o Grunt também), nada sobre o quanto me identifiquei com Alice Madness Returns , que eu chutei o balde e fiquei morena novamente, um sincero review de despacho do Sony Xperia S, nem uma receita gorda típica minha. Tudo isso reflexo de como as coisas andava.

Mas isso acabou. Digo isso porque hoje é o primeiro dia do ano em que sentei na minha escrivaninha e começei a digitar tranquilamente e sem pressa por conta de alguma tarefa urgente para fazer. Hoje é um novo dia. E um novo dia chama coisas novas, recomeços. Tenho muitas coisas novas para fazer e aprender.

Acho que vou começar comendo sushi.

Imagens: Daqui e aqui.

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coment
  • Vanguedes
    4 de julho de 2013 at 20:26

    Sabe o quanto sou fã dos seus textos pessoais e quanto me agrada ver você fazendo algo que gosta, que nos faz bem e, a melhor parte, sem a pressão de ter que escrever algo só pra agradar fãs.

    Nossa vida é feita de altos e baixos. Algumas vezes estamos totalmente sufocados, algumas outras vezes estamos tão relapsos que nem temos tempo pra nós mesmos, quanto mais pra ficar reacendendo a chama da amizade que existe por aí.

    Uma vez uma amiga minha me disse algo que tenho certeza que vou levar pra SEMPRE. Algo que talvez tenha feito mais sentido e doído mais em mim do que nela própria, que disse a frase. Deixo este comentário com esta citação e tenho certeza que daqui pra frente você só irá melhorar. A frase é:

    “Daqui a alguns anos, quando estivermos velhos, daremos um ano inteiro para termos um dia com a idade que temos agora. Por isso, FAÇA! PRODUZA!”

    Os amigos ficarão, os menos chegados irão embora com a certeza de que terão alguém em quem se espelhar para todo o sempre e os mais chegados permanecerão, não importa em quantos casulos você tenha que entrar para renascer uma nova Gaby. Quando sair, vai ter um monte de gente te esperando do lado de fora pra te dar as boas vindas, de novo, ao mundo.

  • Bebs
    6 de julho de 2013 at 08:14

    Faço coro com o Vanguedes: adoro seus textos mais pessoais. Eles transparecem intensidade e autenticidade. Embora a gente se conheça pouco/só pelas internets da vida, tu sempre me passou a impressão de ser uma mulé porreta, Gaby.