Wolkices Animais

Prefiro meus gatos – e como eles chegaram aqui

DM

Nesse exato momento acabei de ler um dos posts mais lindos que já tive a oportunidade, da fofa e sincera @MulherVitrola. Após a leitura, veio uma vontade imensa de adiantar o post sobre nossos filhotinhos e comentar sobre o assunto o qual ela aborda em seu belíssimo texto: Adoção e amor felino.

Como falei anteriormente no blog, eu e o Dan adotamos dois gatinhos, Dante e Maquiavel. Também contei que já tive outros gatos, mesmo alguns não sendo diretamente meus, como o Cornélio, Aurora (que me escolheu e depois foi embora quando a Yuki chegou), Cristal, Alice, Sunshine, Mia, Mel, outra que minha mãe adotou e não tinha nome. Tantos gatos e cada um com sua peculiaridade. Cada um com sua marca no mundo.

A verdade é que existe muito preconceito mediante os felinos. Sempre os amei, sempre os defendi. Já escutei (assim como a Sra. Vitrola que citou brilhantemente as doenças) coisas muito cruéis a respeito deles. Que gatos não prestam. E hoje pela manhã uma foto resumiu excelentemente o que eu penso desses julgamentos sem fundamento:
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Gatos tem sim a personalidade forte, são extremamente limpos, perfeccionistas, gostam das suas coisas direitinhas. E nós, humanos, também não somos assim ou grande parte de nós?

Posso falar com total propriedade de quem já conviveu com nove gatos, senão mais, que sinceramente o problema não está neles. Ao contrário do que “pintam”, eu sempre fui muito bem recebida, pelos meus ou os dos outros. Não digo isso só por ter uma empatia absurda com gatos, a ponto de dar carinho nos mais ariscos de rua aos domesticados. Cães (principalmente) e gatos sentem quando são bem-vindos. Eles precisam de carinho e mesmo depois de ter sofrido maus tratos, eles abaixam a guarda. O que mais me dói é saber que mesmo quando não são queridos, ainda dão a oportunidade para essa raça vil que é o ser humano fazer o que bem entender com os pobrezinhos.

Voltando a falar de mim (que eu ando brigada com os seres humanos vocês já sabem), quando adotamos os gatinhos foi praticamente por acaso. Eu já tinha a vontade de adotar um desde a minha casa antiga, mas não aconteceu. Vontade unilateral digamos, pois o Dan não curtia gatos até então.

Ainda naquela época, entrei em contato com a dona Márcia, uma mulher que merecia ser canonizada por tamanho coração e coragem, dona do projeto e blog O Gato Carioca. Pedi maiores informações de como proceder, telas, ambiente ideal, como se eu nunca tivesse tido um gato na vida, tudo do zero. Ela, sempre atenciosa, respondia meus e-mails, enviava mensagens sobre quando ocorreriam os eventos de adoção, das rifas, dicas de como cuidar direitinho. De coração, agradeço demais aos seus e-mails, posts e relatos, foram fundamentais para o bem estar dos nossos gatinhos.

Um dos gatos que mais amo nesse mundo, o Floquinho (e também a mamãe dele, a fofa da Cristal), do meu truta Fellipe Mariano, veio do projeto “O Gato Carioca”, o que me motivou ainda mais a adotar. Ele me deu referências, tirou dúvidas sobre veterinários aqui pelo bairro, adoção, me ajudou bastante.

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Quando nos mudamos para onde estamos agora, a vontade cresceu. Continuei contatando-a e comecei a me inscrever em grupos no Facebook de ajuda animal, adoção e notícias. Li lindas histórias e em contrapartida, algumas revoltantes sobre maus tratos e como grupos lutam para salvar animais judiados.

A vida é muito engraçada, muito mesmo. Quando estávamos pesquisando apartamentos, encontrei por um acaso divino o anúncio de um que me trouxe ao que moramos hoje. Lembro-me que liguei para o Dan e falei “achei nosso apartamento”. Saí correndo, eu de casa e ele do trabalho. Quando chegamos era mais do que estávamos imaginando, porém perfeito para nós. Nos mudamos e posteriormente os achados se tornaram mais frequentes e certeiros, inclusive dos gatinhos.

O Dan não era muito chegado em gatos e ironicamente tem uma empatia igualmente absurda com cães. Ele amadureceu a ideia ao longo do tempo. Quando o conheci, o inception infeliz do pai de “odeio gatos, eles não prestam” já estava incrustado nos miolos do filho. O Cornélio ajudou bastante nisso, de fazê-lo mudar de opinião, mas não a ponto de falar “quero um gato”. Eles se davam muito bem antes do meu querido gatinho ser raptado.

Cozinhei a ideia por quase um ano e olha, foi complicado. Por fim, ele aceitou, mas com condições. Seu plano era ter um gatinho apenas e após seis meses ou um ano da data da mudança. Mesmo assim, partilhava comigo os planos de como seria nosso filhotinho. Achei super bacana ele ter concordado que nosso gatinho se chamaria Maquiavel, que seria adotado, pois existem muitos animais precisando de um lar. Pesquisávamos casinhas, comedores, brinquedos. Como um casal que planeja ter um filho.

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Por me inscrever em diversos projetos, eu sempre via muitas fotos de gatinhos para adoção. Até aquele momento, nenhum tinha feito meu coração bater mais forte. Não até o dia do aniversário do Daniel desse ano.

Naquela manhã, abri o Facebook no iPhone em busca de novidades felinas. No perfil do Gato Carioca, vi um response do Projeto Completar-se, o qual ainda não conhecia. Entrei, achei bem bacana e curti. Dei uma olhada no álbum de fotos e vi o Maquiavel (que era John) pela primeira vez. Senti algo muito diferente das outras fotos de gatinhos que tinha visto anteriormente. Sem pensar, liguei para o Dan e falei “Dan, achei nosso gato”.

Mandei uma mensagem perguntando se ele havia sido adotado e fiquei no aguardo. Obviamente que o Daniel achou que eu estava doida, bater o martelo assim, sendo que o acordo foi outro. Pediu fotos, informações e eu ainda não sabia de nada. Lembro-me da segunda-feira chuvosa, eu cruzando o Rio de Janeiro para ir ao dentista, véspera de feriado, nós dois com milhares de coisas da casa para resolver.

Quando os responsáveis pelo projeto me responderam, prontamente perguntei a localização, telefone, como chegar e quando vi, já estava lá no local, na chuva, com Daniel me olhando assustado e pedindo para eu ter prudência. “Vamos lá só ver. Okay, Gaby?”, ele repetia.

Foi quando conheci a fofa da Carol, a Patrícia e o Renato, os responsáveis pelo projeto, anjos da guarda não só do Maki e do Dante, mas também dos irmãozinhos que ficaram. Conversamos muito, abracei, chorei, foi muito legal o momento que passamos juntos naquele dia.

Quando o Dan viu o Maki, não posso afirmar com exatidão o que ele sentiu, mas se deram muito bem. Tinha algo no Maki que parecia completar o Daniel. O “vamos só olhar” se transformou em “vamos levá-lo” depois de alguns minutos.

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Me debrucei até o cercadinho e acariciei os outros, até que uma (na verdade, um, eles eram muito pequenos ainda, 45 dias) chamou minha atenção. Tinha um olhar doce e carente, bem gato de botas, quase gritante de “me pega, me dê carinho, eu sou bonzinho”. Peguei no colo, dei cafuné e quando fui devolver, não queria largar de maneira alguma.

Senti algo muito forte, como se aquele filhotinho precisasse de mim. Olhei pro Daniel que rapidamente devolveu o olhar de “Gaby, não podemos”. Olhei pro filhote, pro Daniel. Fiquei nessa uns dois minutos. Daí pensei que nossa casa é tão grande para dois humanos, imagina para dois gatinhos. E poxa, ninguém gosta de ficar sozinho, não seria justo para o Maquiavel.

E cinco minutos depois estava eu, Daniel, Maquiavel (que quase virou Garrus) e a gatinha-que-na-verdade-é-um-gatinho sem nome dormindo no meu colo, dentro da caixinha de sapatos e cobertos com meu cachecol.

De lá pra cá, muita coisa mudou, mas não sei como seria sem eles. A aversão do Dani a gatos não existe mais, eu me tornei macho alfa. Quando chegamos, na maioria das vezes somos recebidos por olhares curiosos que adoram quando os pais chegam das compras para pular nas sacolas plásticas. Crianças que nos frustram imensamente por comprarmos caminhas, cestinhos e n brinquedos quando gostam mesmo é de dormir dentro do balde, nas caixas e brincar com bolinhas de papel. Que atacam cortinas e sobem na mesa do escritório para namorar os peixes. Os mesmos que não gostam de ver a mãe estudando, ficam andando em cima dos cadernos dela, pedindo carinho e choramingando mas assistem o pai jogando videogame como se estivessem compreendendo o que está passando na tela.

Maquiavel e Dante se tornaram gatinhos com personalidades muito diferentes: um é bem reservado e só pede carinho quando está muito carente, gosta de ficar do nosso lado quando estamos fazendo algo que necessite de atenção (exclua estudar), como se fosse um fiscal. Já o outro precisa de atenção quase todo tempo, é reclamão, chorão, porém muito carinhoso. Daniel criou um mantra de que ele não é um gato e sim um bichinho de pelúcia. Ele gosta de ficar deitado no colo, toda noite se estica para chegar perto de mim na beira da cama e finalmente ganhar um beijinho de boa noite no focinho para dormir em paz. Embora o Dante seja muito amoroso, ele é extremamente bruto nas brincadeiras com o irmão. Me assusto com o UFC Gatinho “cabeça no taco”.

Dante

Maquiavel é bem próximo do Daniel e o Dante de mim e isso ficou bem definido desde que chegaram por escolha deles. Tenho percebido no comportamento dos dois coisas interessantes. Maki sempre está em partes da casa onde as coisas do Daniel ficam, e o outro, o oposto, como o lado da cama, da mesa, onde gostam de dormir, mesmo quando não estamos no local.

E estou aqui para ajudar a cair por terra esse mito de que gatos são maus. Sorte de quem tem um gato, se for preto, ainda mais. Assim como me benzer toda vez que passo por uma igreja, acredito que se eu cruzar o caminho com um gato, meu dia será bom.

Soltam pelos? Vassoura, pano de chão e aspirador de pó resolve. Fazem besteira? Educamos. Fazem necessidades? São mais limpos que muitos seres humanos por aí, desde o primeiro dia que chegaram (com 45 dias) já usavam a caixinha de areia. Dormem o dia todo? Fico despreocupada quando estou na faculdade de ficarem sozinhos durante esse tempo. São desregrados? Os nossos nos avisam a hora de dormir e não nos deixam perder o horário pela manhã. São inúteis? Você já viu um gato brincando com uma barata? Acredito que não. Não podemos viajar? O que nos impede de levá-los?

Os nossos nos fazem muito felizes, são parte da nossa família e quem não gostar de gatos não é bem-vindo(a) na nossa casa. São eles que moram aqui, não quem gosta de apontar o dedinho para julgar a nossa decisão. Você vai à casa de amigos e diz que não gosta de seus filhos? Então pronto. Quem cuida somos nós, guarde o que acha para você. Grata.

Agradeço de verdade o quanto os envolvidos na adoção dos filhotinhos foram pacientes e calorosos com a gente. Aos responsáveis pelo Projeto Completar-se, ao meu amigo Fellipe e a equipe do Gato Carioca. Nada seria possível sem vocês e é com uma felicidade enorme que hoje nossa família está completa. E completa mesmo, com dois humanos, dois gatos, dois peixes e um caramujo.

Reafirmo o que a Renata disse em seu post: Adotar é um ato de amor. E complemento que “amor” não é para qualquer um, é preciso convicção para amar nas horas boas, ruins e estar lá do lado sempre que precisarem de você. Principalmente um animalzinho, seja gato, cachorro, chinchila, que não falam nossa língua e precisam de verdade da gente.

Sobre o título do post, sim, prefiro meus gatos. Não que eu seja descrente, mas por saber que ingratidão é algo que não existe na cartilha animal. Animais amam de verdade, ficam do seu lado, são fiéis e não te abandonam. Eles aquecem o coração, são companheiros e verdadeiros. E existem aos montes, infelizmente a grande maioria sofrendo por negligência humana da não responsabilidade de controle de natalidade e maus tratos. Mesmo assim, tenho fé nas pessoas que são dotadas de amor que tenho visto que dão uma oportunidade para o próprio coração e levam para sua casa não só um bichinho e sim um membro da família.

Novamente a você que adota, a você que ajuda, a você que luta: obrigada!

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coment
  • Dan Wolks
    28 de maio de 2012 at 19:13

    Não é todo dia que a gente comenta um post falando dos nossos filhos heh

    acabei de ver um filme passando enquanto lia o post e me lembrava de como foi tudo o que fizemos até agora para ter os gatinhos bem acomodados em casa, daquele dia de chuva, deles no carro comigo enquanto você corria no mercado para comprar a primeira ração

    realmente, eles são animais muito independentes e dão pouco trabalho, só precisam de água, comida e a caixa de areia limpa, realmente se portam melhor que muitos humanos

    e após os gatinhos eu também defendo a bandeira da adoção, tem muitos animais precisando de ajuda no mundo, muitos que perderam seus donos ou sofriam maus tratos, tem muitos projetos bacanas na internet pessoas realmente comprometidas a ajudar estes animais

    e tem uma coisa nos animais que me toca muito mais que nos humanos, que é que os animais são bons, eles te dão uma oportunidade mesmo que você não mereça e por muitas vezes os humanos usam disso pra avacalhar com os bichos

    por isso sou completamente a favor de ajudarmos os animas o/

    queria poder falar mais mas tenho que correr rs

  • Re Vitrola
    28 de maio de 2012 at 23:18

    Poxa Gaby, você me fez chorar feito criança na frente do pc, mas de tão linda que achei sua história e dos teus filhotes!
    Fico feliz, muito mais feliz, de saber que existem por aí muitas pessoas que pensam assim. Como quando por acaso visitei a casa de uma moça aqui an minah rua que cuidava de mais de 45 gatos, pq não cabia mais na ong e ela levava pra casa.
    Eu falo de gatos, mas é claro que todo bichinho de estimação é amor. E que ensina mesmo coisas pra gente (pq quem adota, praticamente assina um documento de “doar-se”, é automático).
    Eu sou feliz com as minhas, e que bom que mais gente é feliz assim :)

    • Gaby Wolks
      31 de maio de 2012 at 16:04

      Vitrolinda, você não sabe o que aquele post então me fez sentir XD igualmente!

      Poste mais sobre as princesas, eu adoro saber delas =D

  • Carolina
    29 de maio de 2012 at 02:16

    Gaby,
    eu estou até sem palavras.
    acho que minhas lagrimas falariam tudo o que sinto nesse momento.
    O projeto surguiu por acaso e nunca imaginei que fosse fazer uma verdadeira diferença. Como ja conversei contigo, desanimei varias vezes. Mas ainda estou na luta, por sinal foram vocês que nos fizeram acreditar que podemos mudar, podemos ajudar e achar pessoas maravilhosas em meio de um mundo tão destruído.
    Fico muito feliz, feliz de verdade.
    Me sinto aliviada, animada, não sei. Acho que o melhor nome para isso seria: realizada!
    O mérito dessa conquista é toda de vocês.
    Amamos conhecer vocês.
    Vocês serão inesquecíveis na minha jornada, quando um dia quem sabe eu abrir um abrigo maior. rs
    Muitas felicidades e historias para contar!
    ps: amei o blog, voltarei aqui sempre! rs.

    • Gaby Wolks
      31 de maio de 2012 at 16:03

      Ah Carolzita, você sabe o quanto agradeço.
      Fico muito feliz de ter conhecido vocês e saiba que no que precisar, sabe onde me encontrar.

      E outra, daqui a alguns meses vou levar os dois para te visitarem!

      Beijos!

  • André Mr. Spinner
    29 de maio de 2012 at 08:28

    Eu meio que herdei o cuidado de uma gatinha quando eu namorava uma moça uma vez Essa ex namorada morava longe e vezenquando viajava pra ver a família. A gatinha era de rua , não castrada, e nas escapadinhas dela, ela ficou prenha. Depois, além de ajudar a cuidar dela, eu tive que cuidar dos filhotinhos. Foi uma das experiências mais gratificantes que tive na vida, apesar das dificuldades.

    • Gaby Wolks
      31 de maio de 2012 at 16:01

      Hey André,

      Já que você teve sua experiência como papai felino, por que não adota um? =D Adota adota adota!

  • Fellipe Mariano
    31 de maio de 2012 at 16:41

    Bem vinda ao clube dos CatLovers.

    Crio gatos já faz um tempo, o primeiro foi adotado somente porque tinhamos problemas de camundongos na casa, ele resolveu isso… e quando não tinhamos mais camundongos em nosso lar já estavamos tão apaixonados por ele que até adotamos uma irmã para ele. Depois disso ainda adotei mais dois gatinhos (um macho e uma fêmea) irmãos que tinham sido largados por alguns parentes caipiras meus em um quintal para um cachorro devorar. Minha mãe sentiu muita pena deles e trouxe pra casa. E atualmente (após a morte desses 4) estou, como você citou no texto, com uma mãe e um filhote, que apesar de arteiros e bagunceiros são a alegria da casa. Não me arrependo um segundo sequer de tê-los em minha vida.

    E que Deus abençoe a todos que amam um animal.