Filmes e Cinema

Assisti: Se Enlouquecer Não Se Apaixone

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Nesse final de semana, aproveitando o frio e chuva, decidimos alugar alguns filmes de comédia e estourar uma pipoquinha. Ontem, devido a problemas técnicos só assistimos a um filme, tiro no pé total em relação à escolha do gênero,  mas total acerto no quesito escolha em si.

Quando assisti ao trailer de “It’s Kind of a Funny Story” (traduzido porcamente como “Se Enloquecer Não Se Apaixone” por aqui) pensei que se tratava de um filme de comédia. O motivo? Zach Galifianakis, o eterno fanfarrão Alan de “Se Beber Não Case”. Ledo engano.

Outro trunfo que me fez alugar foi Emma Roberts. Gosto demais das suas interpretações. Saber que ela faria o papel de uma esquizofrênica somada a cara de doidinha que ela tem me renderam muitas expectativas. E foram otimamente preenchidas.

O filme conta a história de Craig (interpretado por Keir Gilchrist, que também interpreta o filho da Toni Collette em United States of Tara) um jovem de 16 anos que não consegue lidar com a pressão da adolescência/começo da fase adulta e entra em depressão. Tudo se une contra ele:  a ausência de relação com seus pais e sua irmã mais nova, os problemas do mundo, toda a cobrança na escolha e aprovação na faculdade, sua reputação com os amigos e o que mais lhe incomoda, o amor platônico pela namorada do melhor amigo. Decidido a se livrar de todos os problemas de uma vez, Craig decide tentar o suicídio, mas é interrompido por sua família. Desesperado por ajuda, vai até a emergência do hospital de seu bairro e o médico decide o internar na ala psiquiátrica durante cinco dias. Lá ele tem de reavaliar o que é realmente importante na sua vida e decidir se ele deseja mesmo morrer – ou viver.

Embora o protagonista tenha pouca idade, em algum momento você acaba se identificando com ele. Craig é um personagem frágil e brilhante, cauteloso, beirando às vezes a desconfiança. Seus maiores medos é ser rejeitado, excluído, se tornar um perdedor, não somar para a sociedade e o pior, ser motivo de vergonha para seus pais. Todos temos de lidar com pressões, cobranças e decepções e isso não tem excessão para ninguém. A maneira como ilustram os sentimentos de felicidade/frustração do personagem é realmente tocante e você acaba se lembrando de algo parecido que tenha vivido no passado. Todas as fases psicológicas – negação, fúria, negociação, depressão e aceitação são muito bem interpretadas, não só por Craig, mas por todos os outros personagens.

1A maneira como Craig vai se descobrindo é tocante. O modo como ele cresce ao longo do filme, o que aprende e vivencia não se distancia muito da realidade aqui fora, ou de mim e de você que está lendo. Em como o circo dos horrores vai se tornando uma escola e sua relação com os outros personagens (em especial com Noelle, a personagem pirada de Emma Roberts)  e limitações psicológicas muito piores que as dele se entrelaçam. Como Craig e seu coração bom mudam o ambiente, a vida das outras pessoas e que nem tudo o que ele imaginava era verdade, desde sua irmã menor ao seu melhor amigo.

Mesmo a história se passando em um hospital e na parte que deveria ser a mais pesada em si, o filme traz uma visão positiva em relação aos pacientes. O tratamento dado a eles, a loucura em si, as oportunidades que tem de se entender e se tratar naquele ambiente. Como cada um demonstra nobreza em meio a doença, algo realmente inspirador.

Sobre os outros personagens, Emma Roberts como a rebelde e misteriosa Noelle demonstra maturidade em incorporar uma jovem que lida com a dualidade da depressão e otimismo de maneira quase constante. Quem assistiu a “Cisne Negro” vai relembrar da personagem de Natalie Portman ao ver Roberts em ação, só que de maneira subentendida.

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Embora eu tenha assistido muitos filmes com o Zach (o vejo na capa e aposto minhas fichas de que será bom) e todos foram de comédias daquelas de passar mal de tanto rir, esse filme me fez ter uma outra visão de seu trabalho. Mesmo com todas as semelhanças do mundo com o Alan, seu personagem da vez, Bobby é amável, sagaz e tem uma personalidade fantástica. Toda a atmosfera em torno de Bobby se torna triste por motivos explicados ao longo do filme e as cenas em que interage com Craig são sempre definitivas para ambos em relação a mudanças de atitude, como se ele estivesse no papel de mentor do menino. Este filme dá a Zach, que até então eu o via como um ator de comédia sarcástico e estranho, um tom dramático e marcante o suficiente para indicar a alguém que duvide de seu potencial como um ator “além da comédia”.

Algo que realmente mexeu comigo foram as sessões de terapia de Craig com a doutora responsável pela ala. A frase final que ela diz a ele rancaram algumas lágrimas minhas na marra.

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“It’s Kind of a Funny Story” é um belo filme e traz a todos, de todas as idades, uma mensagem muito bacana.  Nem de longe é um filme de comédia. Tem suas tiradas engraçadas e em alguns momentos te arranca sorrisos emocionados sim, mas é um drama muito bem bolado. Fiquei muito aborrecida em saber que veio direto para DVD. Digno de cinema – mas assim como a tradução porca, não deram oportunidade a ele por aqui.

A principal mensagem é que todos temos medos, fraquezas e devemos aprender a lidar com elas. Esquecer por alguns momentos de sentimentos que nos colocam para baixo e valorizar as coisas boas que temos, mesmo que sejam poucas, simples ou “rotineiras”. Se concentrar nas coisas que realmente valem a pena e avaliar as inútilidades as quais dedicamos tanto tempo e energia sem sentido.

Um filme que todos deveriam dar uma oportunidade e assistir de coração aberto por trazer uma proposta completamente diferente do que estamos acostumados a ver em filmes que sabemos que terão um final feliz.

Indico a todos e se possível assistirei com algumas pessoas as quais sei que esse filme poderá mudar a vida e atitude delas. Pegue o lenço, a pipoca e desative seu modo cabeça fechada. Com certeza vai se divertir.

Até a próxima.

Imagens: Aqui e aqui.

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coment
  • @joelmaalves
    25 de setembro de 2011 at 13:12

    Oi!!
    Gostei da resenha, adoro o Zach também, e o enredo é bem a minha cara, adoro clínicas psiquiátricas desde que li Veronika Decide Morrer, do Paulo Coelho!!
    Já estou fazendo o download!

    ^^